domingo, 22 de janeiro de 2017

Se não viu, veja! - Desventuras em Série (1ª Temporada)

É melhor não olhar.



Faaaaala, galerinha desocupada! Tudo de boa com vocês, queridos e queridas?

Todos preparados para mais uma indicação cheia de tristeza, melancolia e acontecimentos que deixariam até o mais frio e calculista dos seres vivos chorando de remorso em uma depressão infindável e irremediável por dias a fio? Ótimo, pois é exatamente esse tipo de indicação que traremos hoje!

Esta semana, falaremos sobre Desventuras em Série (A Series of Unfortunate Events, no original), a mais nova estreia do catálogo de produções originais do nosso serviço de streaming favorito, Netflix. Baseada na saga literária homônima de Lemony Snicket, Desventuras em Série chegou às prateleiras da Netflix no dia 13 de Janeiro, com um total de 8 episódios em sua 1ª Temporada e com uma continuação futura já nos planos.

Violet, Klaus e Sunny Baudelaire são três crianças adoráveis e geniosas, com talentos marcantes desde pequenos e bastante unidos entre si. Apesar de fofos e lindinhos, nada de bom acontecerá com eles a partir daqui. Após perderem os pais em um misterioso incêndio, eles deverão fugir das garras do vilanesco Conde Olaf, um ator frustrado que quer, acima de tudo, por as mãos na herança dos órfãos Boudelaire, custe o que custar.


A primeira coisa que muitas pessoas fazem ao se depararem com um remake/reboot é, sem sombra de dúvidas, compara-lo ao material original. O remake de Robocop? "Não é tão bom quanto o original". O remake de O Exterminador do Futuro? "Um lixo, não chega nem perto do original". São infinitos os exemplos, mas não tem como culpar essas pessoas, não é? Afinal, elas tem um material sob o qual se embasar, e se a nova produção não faz jus àquela base a qual elas se apegam, nada mais justo que juga-la inconsistente, ruim ou não tão boa quanto o material original.

Pra essas pessoas, porém, eu proponho um pequeno exercício: que tal, só por uma vez, deixar as comparações de lado e avaliar uma nova produção, seja remake, reboot ou adaptação, exclusivamente por seus méritos? Se você nunca fez isso, vai por mim, é uma verdadeira catarse! É incrível a quantidade de stress e decepção que você evita ao por em prática um exercício como esse.

Com isso em mente, que tal empregarmos esse exercício neste post, onde falamos sobre Desventuras em Série? Eu sei que há um filme que veio anos antes da nova série produzida pela Netflix, e você está livre para comprar as qualidades de ambos o quanto quiser, mas só por enquanto, somente durante a leitura deste post; vamos deixar as comparações um pouquinho de lado, ok? Então sem mais enrolação, vamos lá!

O primeiro acerto de Desventuras em Série é um bem básico (e até metalinguístico, diria eu): ser uma série. Sim, estou falando sério. Só pelo fato de ser desenvolvido no formato de um seriado, esta nova adaptação de Desventuras em Série tem muito mais tempo para desenrolar sua trama e desenvolver seus personagens que, digamos, um ou dois filmes teriam. Em Desventuras em Série, cada dois episódios correspondem a adaptação de um dos livros da extensa coleção redigida por Lemony Snicket, sendo os 8 episódios da primeira temporada correspondentes aos 4 primeiros livros da obra. Pode parecer pouco, falando desse jeito, mas acredite, mesmo sem ler os livros, é fácil notar que a essência das histórias neles contadas foi transposta de maneira competente para a tela, de modo que os principais detalhes se mantenham intactos.

Por mais que pareçam destacados entre si, cada arco retratado na temporada liga-se ao seguinte de uma maneira natural e orgânica, tornando a progressão de um episódio para o outro bem mais confortável e divertida. Mas nenhum episódio seria tão empolgante de se assistir se não fosse pela narrativa neles empregado, e Desventuras em Série faz isso de uma maneira bem simples, mas surpreendentemente divertida: através do narrador das histórias, o próprio Lemony Snicket.

Lemony é, de longe, uma das maiores qualidades de Desventuras em Série. Além de narrar a história dos órfãos Baudelaire de uma maneira divertidamente didática e dramaticamente irônica, Lemony também se encontra inserido em meio a trama principal, mas não de uma maneira tradicional. Há muitas evidências, tanto visuais quanto textuais, escondidas durante a série que indicam a existência de Lemony Snicket naquele mundo, mas também dizem respeito a uma série de acontecimentos misteriosos que permeiam a série como um todo. Ao fim da temporada, muitas das suas perguntas serão respondidas, mas não sem antes te deixarem com umas 10 perguntas a mais, que certamente deixarão um gostinho de "quero mais" para a próxima temporada.

Apesar das horas e horas de tristeza e melancolia, Desventuras em Série também trabalha muito bem seu humor. Os termos que melhor podem definir esse aspecto da série são Ironia Dramática e Metalinguagem. A primeira é autoexplicativa, presumo eu: se é irônico e há possibilidade de acontecer, certamente acontecerá. Um cientista que estuda cobras morrer por uma picada de cobra? Uma história que começa e termina com um incêndio? São acontecimentos ironicamente trágicos, mas trágicos mesmo assim, e Desventuras em Série consegue estabelecer muito bem o limite entre trágico e irônico. A Metalinguagem certamente é minha favorita, principalmente quando envolve o narrador Lemony Snicket. Ver alguns dos personagens repetindo suas falas palavra por palavra, ou ver suas previsões depressivas tornarem-se realidade — de maneira literal ou figurativa — certamente me fizeram amar a narrativa de Desventuras em Série ainda mais.

 Mas nem só de Lemony Snicket se faz uma série de acontecimentos inoportunos. Todo o elenco de Desventuras em Série merece destaque, em algum ponto. Os órfãos Baudelaire são adoráveis e únicos, e apesar de seus papéis serem um tanto quanto "engessados", com pouca variedade, é impossível não se apaixonar pelo trio. O vilão da história, Conde Olaf, certamente foi o maior motivo de burburinho referente a nova adaptação. Alguns defendem a performance de Neil Patrick Harris, enquanto outros ainda preferem a interpretação de Jim Carrey (no filme de 2004). Particularmente, eu não consigo traçar uma comparação entre os dois. É como se ambos vivessem versões bastante diferentes de um mesmo personagem, atribuindo suas respectivas particularidades a elas. Devo dizer, porém, que a interpretação mais sóbria de Neil Patrick Harris me pareceu mais coerente com a nova série, dando um ar vilanesco mais crível ao Conde Olaf.

Particularmente, eu fiz questão de assistir Desventuras em Série inteiramente dublado — sim, eu sou desses que realmente curte dublagem —, e para minha felicidade, não me decepcionei nem um pouco. Muito pelo contrário, até achei as vozes brasileiras mais "vivas" que as originais, tornando os personagens mais fáceis de se importar. Ainda falando em som, a trilha sonora não é nada que mereça muito destaque, mas certamente contribui nos momentos-chave da série, dando vida a todo o ar misterioso e "melancólico"da aventura. Porém, tendo escutado ao menos uma vez, é IMPOSSÍVEL tirar o tema de abertura da cabeça. Sim, eu vou deixa-lo aqui para ilustrar minhas palavras, mas fica o aviso: é melhor não olhar!


Hum... é, acho que isso é tudo que tenho a dizer por hoje. Hora daquela velha e triste nota de sempre, carregada de terror e de noites sem dormir.

E aí está ela -> 10 / 10

Realmente não consigo pensar em outra nota para Desventuras em Série. Eu não me sentia intrigado, entretido e empolgado com uma história desde Stranger Things e Gravity Falls. Desventuras em Série pode possuir um tom infantil à primeira vista, mas seu humor metalinguístico e suas referências escondidas nas entrelinhas não devem ser subestimadas. A narrativa é um verdadeiro show a parte, e torna ainda mais divertida e misteriosa a jornada por entre os diferentes arcos abordados nesta 1ª Temporada. Há problemas, sim — como algumas quedas no ritmo ou interpretações pouco aprofundadas —, mas é difícil leva-los em consideração diante de uma história tão cativante e intrigante quanto a de Desventuras em Série.

Portanto, se você está em busca da próxima maratona do fim de semana, não precisa mais pesquisar, pois Desventuras em Série é a melhor pedida para você!

Por hoje é só, queridos e queridas.

Um abraço na mente e até mais!

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